Refulgem as luzes,
Ressoam as palavras,
Dançam as carteiras, num vai e vem
Tão, estaticamente, dinâmico
Dinamicamente, tão estático
Compondo a grande festa de Letras
Tão pobres carteiras!
Seres inteligentes de quatro pernas
Tão, enigmaticamente, atentas,
Com os bípedes partilhais a festa
Mas, oh! Quanta injustiça!
Eles serão mestres e doutores
E vós, sábias carteiras? Que sereis?
E prossegue a festa
Prossegue também o aprendizado
E junto aos bípedes
As carteiras continuam em seu bailado
Ah meu Deus! Essa obscuridade me ofusca!
Thiago Santos
segunda-feira, 16 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
Sentimento dos Vestidos
Grita vida, grita.
Tenta chamar atenção
Seja vaidosa vida
Seja prostituta !
Revele-se vida, seja
Proteja-se vida
AME
Ajuste-se
Grita vida, grita.
Chama meu nome
Chore, vida, pura
Clame alto
queira forte !
Sue Costa
Tenta chamar atenção
Seja vaidosa vida
Seja prostituta !
Revele-se vida, seja
Proteja-se vida
AME
Ajuste-se
Grita vida, grita.
Chama meu nome
Chore, vida, pura
Clame alto
queira forte !
Sue Costa
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Desabafo
Eles falam com sorriso e deixam as veredas como um painel externo esquentando até que se derreta. Eles não têm dó nem piedade e as vezes o que realmente querem é duvidar para afrontar. Não importa o que venhamos a dizer, eles sempre estão certos e se baseiam em situações antes pensadas, nunca vividas, porém. Por mais titubeantes que sejam, acabam se descontrolando por não saberem a diferença entre criticar e ofender.
Num belo dia, como pedra, caem sem poder voltar e contam com a certeza de nossas mãos para erguê-los. Bobos da corte foram e hoje aspiram o reinado, como se pudessem ou merecessem...
Isso, por mais fácil ou estúpido que venha a parecer, é só um desabafo. Para que o cheiro dessas verdades perfeitas seja inspirado com paciência e expirado com verdade ! Esquizofrenar situações já são atitudes tão corriqueiras que de nada mais adiantam e de nada mais importam.
Não há nada mais atraente do que as coisas acontecidas.
Sue Costa
Num belo dia, como pedra, caem sem poder voltar e contam com a certeza de nossas mãos para erguê-los. Bobos da corte foram e hoje aspiram o reinado, como se pudessem ou merecessem...
Isso, por mais fácil ou estúpido que venha a parecer, é só um desabafo. Para que o cheiro dessas verdades perfeitas seja inspirado com paciência e expirado com verdade ! Esquizofrenar situações já são atitudes tão corriqueiras que de nada mais adiantam e de nada mais importam.
Não há nada mais atraente do que as coisas acontecidas.
Sue Costa
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Riso fácil
Não cala a voz da minha sanidade.
Devolve os sentidos meus,
que roubo os encantos teus.
que roubo os encantos teus.
E loucos estaremos juntos,
satirizando e contrariando
as verdades desse mundo paralelo.
E distantes seremos vazios,
verbalizando e caricaturizando
as mentiras e angústias desse mundo amarelo.
E juntos estaremos loucos.
Vazios estaremos distantes.
Eu não quero me perder,
nem esconder o delírio meu
na alucinação tua.
Você não quer se esconder,
nem perder o riso nosso
de duas bocas prostitutas.
Jamille Costa Veiga
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O meu próprio
O meu próprio é meu
[e próprio.
Muito mesmo, ou um pouco mais.
Mas é meu, sem deixar de ser
[próprio.
É "o" porque é único, inigualável.
Aliás, ou melhor, por isso mesmo
é próprio e, acima de tudo, é meu.
Mas é próprio e, não deixa de ser meu,
além de único e inigualável.
O.
Meu.
Próprio.
É próprio, único, meu e inigualável.
Jamille Costa Veiga
[e próprio.
Muito mesmo, ou um pouco mais.
Mas é meu, sem deixar de ser
[próprio.
É "o" porque é único, inigualável.
Aliás, ou melhor, por isso mesmo
é próprio e, acima de tudo, é meu.
Mas é próprio e, não deixa de ser meu,
além de único e inigualável.
O.
Meu.
Próprio.
É próprio, único, meu e inigualável.
Jamille Costa Veiga
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Promessa
Hoje eu quero mudar
Fundar outra moça
Extrair de mim regalias
E das cinzas as forças
Hoje quero com inimigos
Contar se restaram
Fingir que existiram
Sombrear dos instintos as dores que voltaram
Hoje vou ouvir Deus
Ouvir as crianças
Fumar suas lembranças
Mostrá-las os anjos
E me cobrir dos meus
Hoje quero lupas
E olhar insana
O que hoje grande se enfatiza
E sem motivo me chama
Hoje dou-me inteira
Pois que venha quem queira
Na promessa de um beijo em flor
Só hoje
Sem dor
Só flor.
Sue Costa
Hoje eu quero mudar
Fundar outra moça
Extrair de mim regalias
E das cinzas as forças
Hoje quero com inimigos
Contar se restaram
Fingir que existiram
Sombrear dos instintos as dores que voltaram
Hoje vou ouvir Deus
Ouvir as crianças
Fumar suas lembranças
Mostrá-las os anjos
E me cobrir dos meus
Hoje quero lupas
E olhar insana
O que hoje grande se enfatiza
E sem motivo me chama
Hoje dou-me inteira
Pois que venha quem queira
Na promessa de um beijo em flor
Só hoje
Sem dor
Só flor.
Sue Costa
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Prima Noite
Então entrei no quarto como se quisesse colo
e ele me sorria com um sorriso de algum anjo
então deitei na cama como se fosse meu noivo
beijou a minha mão como se fosse a dele
então a primeira concessão foi aceita
ele não parava de sorrir ao deslizar em meu corpo
aquelas mãos fortes de homem que já espreita
as gritantes sensações desencadeadas sem consolo
ah que perfume doce, a que pequena fina
porque se faz maldita se eu só te quero posse
essas canelas magras, fracas, e nos olhos
lágrimas.
Agora que o perfume dele passou eu só sinto álcool
e como será o próximo? Porque não sai de cima de mim?
Porque minhas pernas não movem? Acaba, fim, acaba, fim
ela não sabe o que é ser violado, ele é o diabo, ele é o diabo
então gritei no quarto como se quisesse fugir
e eu quis matá-lo mas não podia
e enquanto a me cobrir sorria
eu não gozo liberdade porque meu gozo é vermelho
meu grito é atado mesmo estando acabado
eu enxergo os brinquedos cênicos
agora entendo os papeis higiênicos
Então o esperei desejando que fosse logo
quando acabou de se limpar
me buscou sem as asas
abriu a porta abotoando as calças
deu-me um beijo na cabeça
me pediu confiança
pedindo que eu não estremeça
como se guardo na lembrança
só o teto daquele quarto
o preto no fechado
e uma cicatriz
cá no braço?
Então agora vago, o vaso de casa eu não pinto
os bordados pra mamãe já não faço
não some essa marca do braço
não sei mais aonde fico
se fico eu apenas surto
lembrando toda hora dos gritos berrados
gritos, pra mim, pra ele sussurros
ele? Do outro lado, colecionando seus mudos
mudos...
mudo...
mud...
mu...
m...
...
..
.
João Alves
Então entrei no quarto como se quisesse colo
e ele me sorria com um sorriso de algum anjo
então deitei na cama como se fosse meu noivo
beijou a minha mão como se fosse a dele
então a primeira concessão foi aceita
ele não parava de sorrir ao deslizar em meu corpo
aquelas mãos fortes de homem que já espreita
as gritantes sensações desencadeadas sem consolo
ah que perfume doce, a que pequena fina
porque se faz maldita se eu só te quero posse
essas canelas magras, fracas, e nos olhos
lágrimas.
Agora que o perfume dele passou eu só sinto álcool
e como será o próximo? Porque não sai de cima de mim?
Porque minhas pernas não movem? Acaba, fim, acaba, fim
ela não sabe o que é ser violado, ele é o diabo, ele é o diabo
então gritei no quarto como se quisesse fugir
e eu quis matá-lo mas não podia
e enquanto a me cobrir sorria
eu não gozo liberdade porque meu gozo é vermelho
meu grito é atado mesmo estando acabado
eu enxergo os brinquedos cênicos
agora entendo os papeis higiênicos
Então o esperei desejando que fosse logo
quando acabou de se limpar
me buscou sem as asas
abriu a porta abotoando as calças
deu-me um beijo na cabeça
me pediu confiança
pedindo que eu não estremeça
como se guardo na lembrança
só o teto daquele quarto
o preto no fechado
e uma cicatriz
cá no braço?
Então agora vago, o vaso de casa eu não pinto
os bordados pra mamãe já não faço
não some essa marca do braço
não sei mais aonde fico
se fico eu apenas surto
lembrando toda hora dos gritos berrados
gritos, pra mim, pra ele sussurros
ele? Do outro lado, colecionando seus mudos
mudos...
mudo...
mud...
mu...
m...
...
..
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João Alves
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